Projeto do Centro de Estudos Desmanche e Formação de Sistemas Simbólicos

 

Fins e princípios gerais

O Centro de estudos Desmanche e Formação de Sistemas Simbólicos – DESFORMAS, vinculado aos departamentos de Artes Plásticas (CAP) e de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), associado ao CENEDIC – Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (DS/FFLCH-USP), CEMarx – Centro de Estudos Marxistas (IFCH-UNICAMP) e ao PPGHE – Programa de Pós-Graduação em História Econômica (FFLCH-USP), constitui um foro de debates e reflexões multidisciplinares, de corte histórico e materialista, congregando, em torno de questões estéticas, simbólicas e do estudo da história em geral, pesquisadores de diferentes especialidades. De acordo com as finalidades acima expostas, abrigará propostas de investigação oriundas de diferentes campos da pesquisa universitária, entretanto associadas pelo objetivo de participar de um processo crítico comum, de modo a partilhar e sintetizar seus resultados consoante uma dialética crítica multidisciplinar.

Não obstante a heterogeneidade inerente à variedade das especialidades de seus membros, o Centro nasce, em síntese, a partir da preocupação comum dos integrantes, com a crítica transformadora da contemporaneidade, mediada por uma perspectiva histórica voltada para a superação do capitalismo. Neste sentido, terão importância estratégica os estudos críticos e históricos dos modos de implantação e desenvolvimento de sistemas simbólicos anti-coloniais em nações periféricas, e da determinação dos seus nexos intrínsecos com os processos gerais instauradores da chamada modernidade e seus desdobramentos.Ademais das questões ligadas às macro-estruturas referidas, serão visados como focos prioritários de pesquisa, no que concerne à tradição histórica européia que é parte constitutiva de nosso acervo simbólico, as implicações dos sistemas periféricos com o sistema colonial, o escravismo moderno e a divisão social do trabalho, a Revolução Industrial, as Luzes e a Revolução Francesa; e no processo histórico subseqüente, a interseção com o aprofundamento e a radicalização da cultura republicano-revolucionária, que engendrou a arte moderna e os processos revolucionários de 1830, 1848 e 1871, na França, e que, no curso do século XX, alimentou simultaneamente as pesquisas das vanguardas artísticas, a Revolução de Outubro e os movimentos anti-coloniais e emancipatórios, em suas diferentes vertentes.

A tradição político-filosófica do materialismo histórico e do pensamento dialético, a história e a cultura das revoluções, a psicanálise, o “teatro épico”, a “teoria crítica”, o “situacionismo” de Débord, a história da crítica, o debate brasileiro da “formação” e em torno da construção de uma tradição ensaística e seus pressupostos, as vertentes críticas anti-capitalistas do pós-estruturalismo francês, e as pesquisas da arte, do cinema, do teatro, das letras, da arquitetura e do urbanismo modernos, bem como as intervenções contemporâneas com perspectiva radical e transformadora, fundamentam e norteiam as linhas e ações de pesquisa desenvolvidas pelos membros fundadores do Centro.

Especial atenção será conferida à análise e reflexão em torno de determinados macro-processos contemporâneos como o das estruturas e situações de “exceção” e o do desmanche das estruturas urbanas e dos direitos do trabalho, no âmago dos quais assumem relevância estratégica os modos de usos da imagem, a anexação sistêmica da cultura e das artes à cultura dos negócios, e os discursos e as técnicas de dominação dos sistemas psíquicos e biológicos combinados nas chamadas tecnologias de bio-poder, na medida em que todos estes constituem hoje campos inter-relacionados de enfrentamento vivo e com significação decisiva para as forças sociais em luta; e ao mesmo tempo complexos de questões cuja aproximação requer perspectivas multidisciplinares e processos crítico-reflexivos integrados.

Em suma, a prática da crítica histórico-cultural interveniente e da reflexão engajada na construção de um sujeito histórico-político combativo constituirá, de modo central, movimento e objetivo permanentes das atividades do Centro.