CURSO DE PÓS NA FFLCH, COM O PROF. CONVIDADO SERGE BIANCHI (UNIV. DE RENNES-2), 23.08 – 25.10.2018

Disciplina: FLT5099-1 Revoluções Culturais, Revoluções Francesas – O Lugar das Artes e das Mídias nas Revoluções Contemporâneas

 

Professores:

Ana Paula Pacheco (PPGTLLC)

Jorge Grespan (PPGHE)

Luiz Renato Martins (PPGHE)

Serge Bianchi (Université de Rennes 2, França, professor-convidado)

 

Dia da semana e horário:

quintas-feiras, 15:00 – 18:00;

com exceção, do bloco de cinco aulas em francês (a cargo do prof. Serge Bianchi, conforme abaixo), entre 27 SET – 5 OUT, sempre às 15:00;

 

Cronograma e tema das aulas (23.08 – 25.10.2018):

Profs. Ana Paula Pacheco, Jorge Grespan, Luiz Renato Martins:

  1. Aula coletiva-1: Apresentação do curso, 23 AGO

 

Prof. Jorge Grespan:

  1. Entre duas revoluções, 30 AGO

A velha questão da relação entre Iluminismo e Revolução Francesa, que no fundo diz respeito à relação entre teoria e prática, deve ser respondida situando o desenvolvimento das ideias Iluministas como elemento constitutivo já das revoluções ocorridas na Inglaterra do século XVII, que levaram ao desenvolvimento do chamado liberalismo político e econômico. O impulso liberal extravasa o campo político e econômico e alcança a religião, com o princípio da tolerância que pretende por fim às guerras entre católicos e protestantes; a ciência, na obra seminal de Isaac Newton (1642-1727) e dos naturalistas do século XVIII; e a arte, com a superação do barroco pelo classicismo.

  1. “O que é Iluminismo?”, 13 SET

Retomando a questão proposta apenas ao final do século XVIII como um balanço das ideias que o caracterizaram, trata-se de evitar as tradicionais definições que enfatizam o aspecto racionalista do Iluminismo e assinalar seu aspecto crítico, empirista e cético. Cruciais nesse caso são a atitude antidogmática, a formação da opinião pública e abertura para a história. Como destaca a resposta de Kant à questão acima, o Iluminismo é mais bem definido pelo direito de todos a duvidar de tudo.

Prof.  Luiz Renato Martins:

  1. O hemiciclo: imagem da forma-nação, 20 SET

A primeira tentativa do pintor J.-L. David (1748-1825) de figurar a Revolução Francesa consistiu no esboço de uma alegoria da França, “dilacerada e em farrapos”, esquematizada para uma tela encomendada pela cidade de Nantes, para celebrar à Revolução. A segunda tentativa respondeu a uma encomenda da Assembleia Nacional Constituinte (1790). Apresentado preliminarmente no Salão de 1791, como anteprojeto na forma de desenho, o quadro Le Serment du Jeu de Paume, também não foi concluído, em função da radicalização do processo revolucionário. Seu tema, a união altiva entre homens livres, foi estruturado a partir de uma forma-básica, a um só tempo, geométrica e sublime, harmoniosa e clássica – e propositalmente antitética ao teor convulsivo e em turbilhão do Juízo Final, da Capela Sixtina. Se concluído, Le Serment… viria a ser possivelmente a primeira obra ocidental, desde a extinção da arte ateniense, a delinear, como efeito atual e bem futuro, o exercício estético enquanto atividade inerente a uma coletividade ética e política.

Prof. Serge Bianchi (5 aulas) :

  1. Un théâtre par et pour le peuple?/

Théâtre, société et politique de 1789 à 1815, 27SET

Du Mariage de Figaro (Beaumarchais, 1787) au Jugement dernier des rois (Sylvain Maréchal, an II), le théâtre est un révélateur et un accélérateur des tensions politiques et sociales. Acteurs, auteurs, spectateurs s’engagent dans la promotion d’un répertoire républicain. Une guerre des théâtres révèle les fractures de la marche de la Révolution, avant que la « réaction culturelle » de l’an III ne marque la victoire de la « jeunesse dorée » sur les ruines d’un théâtre rêvé « pour et par le peuple » en l’an II.

  1. Utopie et Révolution française, 28SET

L’avènement de la République s’accompagne de réformes voulues égalitaires sur les plans de l’éducation, de la famille, des relations sociales. Pendant la période montagnarde, l’utopie se joue sur les bancs de l’école, dans les scènes des théâtres, dans les fêtes, dans le calendrier républicain pour proposer une société idéale, communautaire, repensant les contours de la propriété privée face à une culture libérale dominante.

  1. « Vandalisme » ou « iconoclasme » dans la Révolution/ Destructions et régénération en question, 1 0UT

Selon les Rapports de l’abbé Grégoire au lendemain de Thermidor, la France aurait connu entre 1792 et l’an II un « vandalisme révolutionnaire » visant à « anéantir tous les monuments qui honorent le génie français et tous les hommes capables d’agrandir l’horizon des connaissances ». Ce procès politique vise les Montagnards et les sans-culottes qui ont dirigé le pays en l’an II. En réalité, cette « légende noire » masque une politique de régénération caractérisée par d’une part l’iconoclasme, la destruction de symboles monarchiques, féodaux, cléricaux encouragée par les Conventionnels, dont Grégoire lui-même. De l’autre, par une politique inouïe deprotection du patrimoine culturel et artistique, d’ouverture de musées nationaux, d’encouragement aux arts et aux sciences de la République.

  1. Les sociétés populaires, naissance, développement et suppression d’une forme de politisation caractéristique de la Révolution française, 3 OUT

Avant la Première République (septembre 1792) existe un réseau de 1000 sociétés politiques, partagées entre Jacobins et Feuillants au moment de la fuite du roi. En l’an II, on est en présence de plus de 6000 sociétés « populaires », dont la plupart ont été créées à l’été 1793, au lendemain de la ratification de la Constitution de l’an I et de l’apogée du compromis entre Montagnards et sans-culottes. Centres actifs de politisation, de diffusion des lois et de l’esprit public, ces sociétés jouent souvent un rôle de municipalités parallèles, « écoles de civisme et de démocratie », « mouvement politique de masse », avant leur mise en tutelle, dès décembre 1793 et leur suppression en l’an III.

  1. Mai 68 en France/ De la révolte étudiante à la révolte ouvrière : utopies et réalités, 5 0UT

Si la révolte étudiante est partie des universités de Nanterre et de la Sorbonne, elle a gagné le monde des usines (10 millions de grévistes à la fin du mois de mai !), et posé des questions touchant à l’ensemble des rapports politiques et sociaux. Mai 1968 libère la parole et déclenche une guerre d’images et de médias -affiches, tracts, caricatures, photographies- dans un pays où se pose en termes nouveaux la question du pouvoir. Les leçons des luttes civiles et des ruptures divisent, cinquante ans après, les acteurs et les théoriciens de ces événements qui ont changé les façons de vivre et de penser des contemporains.

Prof. Luiz Renato Martins:

  1. Vestígios de volúpia, 11 0UT

Toma-se a imagem, em geral, de dois modos distintos, senão antitéticos: ora, como fato efêmero e fugidio; ora, como fato estático, imune à condição efêmera dos demais fenômenos. A imagem do primeiro tipo surge na esfera subjetiva, derivada de uma sensação ou ocorrência similar, enquanto aquela do segundo tipo aparece como construção da vontade e da razão para eternizar ou impor, como monumentos, certos valores ou pontos de vista.

Jacques-Louis David tomou tal antinomia como a esfinge decisiva, ante o desafio de representar a Revolução Francesa. Três retratos femininos, [Mme. Pastoret (Chicago, Art Inst.), Mme. Trudaine (Paris, Louvre) y da termidoriana Mme. Récamier (idem)] e os retratos dos herois-mártires (Le Peletier, Marat [Bruselas, MRBA] y Bara [Avignon]) assinalam como David enfrentou o teor glacial neoclásico (totêmico) decidindo desnudar a imagem revolucionária, ao expô-la como vestígio de um processo voluptuoso, permeável à ipseidade do real e ao processo de trabalho.

Profa. Ana Paula Pacheco:

  1. O cinema francês de intervenção em 1968,18 0UT

Em agosto de 1968, o editorial da revista Cahiers du Cinéma afirmava estar em andamento uma revolução no e através do cinema, deixando clara a concepção de uma prática experimental cinematográfica como laboratório de práticas de transformação social. Segundo os editores da Cahiers, os filmes produzidos naquele momento sobre trabalhadores em greve e estudantes radicais somavam esforços em direção a um cinema alternativo, o que significava luta contra o aparato cultural estabelecido, e não afirmação de um lugar à margem do cinema oficial. Esta aula se concentrará no estudo dos filmes de intervenção feitos em maio e junho de 1968, tendo em vista que eles muitas vezes foram utilizados como materiais para a composição de outros filmes, formalmente mais elaborados, tanto na continuidade do trabalho de grupos que foram se constituindo a partir de 1968 (Dziga Vertov, Medvedkine), como em documentários mais recentes (1968-2008: Les ouvriers aussi; Quienes somos; 68: année zéro). Buscaremos por fim comparar o filme Tout va bien (J.-L. Godard e J.-P. Gorin, 1972) e o filme No intenso agora (João Moreira Salles, 2018).

Profs. Ana Paula Pacheco, Jorge Grespan, Luiz Renato Martins:

  1. Aula coletiva-2: balanço e conclusão do curso, 25 0UT

Ver:

Janus Relatório de Dados da Disciplina

CV Serge BIANCHI